23 October, 2007
8:20 pm
Fernandes Branco
Na seara do tempo
Sou árvore, pé de palavra
Alguns de meus frutos
Já nascem podres
Outros são comidos de vez
Amadurecer,
Esta incongruência
Deixo pra gente séria
Já estou assaz preocupado
Com o outono
Que ainda não veio
André Fernandes Branco
9 October, 2007
9:14 am
Fernandes Branco
Quero uma palavra profunda
Que toque no peito dos homens
E faça chover no sertão
A palavra dos momentos puros
Em cuja pureza reflita
Esperança praqueles que choram
Que lave a alma do imortal
E aos meninos soe como brincadeira
Que as moças se encantem de falar
E os velhos não cansem de repetir
Uma palavra que faça rir
Que eleve aos céus os ateus
Seja ensinamento e lição de vida
Dê prazer e saiba punir
Procuro uma palavra muda
Que, no momento, me foge à cabeça
Mas não escapa ao coração
É a palavra da vida pela própria vida
É única pra cada ser humano
André Fernandes Branco
6 October, 2007
9:34 am
Fernandes Branco
Um relógio quando pára
Pára também um pedaço do mundo
O mesmo mundo que é espaço
Onde os recursos escassos
Provocam problemas profundos
Parede e pulso que sente
Telefone, obelisco marcando
Doença que nunca melhora
Desde que o nunca era quando
Manter-se no centro das horas
Embrulhar o instante presente
Pobre mundo
Vasto e imundo
Já me chamei Raimundo
Agora sou só correria
Sem rimar com mais nada por perto
Na era das desavenças
É tempo de se apressar
Não existe tempo a perder
Com tanto espaço a ganhar
Nessa eterna demora
Pessoas impessoais
Esquecem
O aqui
O agora
Bem fazem os animais…
André Fernandes Branco
1 October, 2007
9:30 pm
Fernandes Branco
Todo poema é belo
Mesmo que seja feio
E ainda que falem:
“Foi mal escrito”
“Não é original”
Em verdade, vos digo:
Todo poema é genial
E aos poetas consinto
Que prossigam neste absurdo
De apontar ventanias
E emocionar a razão
Pois, todo poema é imprescindível
Mesmo que seja vão
André Fernandes Branco
23 September, 2007
12:18 pm
Fernandes Branco
Um susto
Faz tremer
Tremendo
Susto
Todos os cheques
No fim das contas
Foi cheque-mate
Mate-me logo
Ou logo eu ligo
Mas se eu ligo
Qualquer assunto
Você não liga
Desliga
E a v i d a p e r d e a l i g a
Prazer de viver já tive na vida
Na velha mania
Agora esquecida
Refeito do susto
Recebo o presente
Você já ausente
Considero justo
E finjo estar certo
Decerto
É tremendo
Até
Vou crescendo
Sem você
Por perto
André Fernandes Branco
23 September, 2007
1:35 am
Fernandes Branco
Eu não acredito em futuro
Parece abstrato demais
Mais abstrato que amor
Porém, acredito em amor
E que se pode amar eternamente
Mesmo que eternidade seja menção a uma coisa
Que ainda esteja por vir,
Ou que tenha sempre existido
Por mais abstrato que isso pareça
Talvez acredite em futuro
Mas, se é assim, de que me adianta,
Se os livros que esperam na estante
Esperam no amanhã
Se o momento de ler, que é agora
Situa-se, perdido, entre o cansaço e a preguiça
E mingua, silenciosamente,
Escondido nas coisas do cotidiano?
Mas, afinal de contas,
O que é o futuro?
Como será o amanhã?
Responda quem puder…
Será um samba feliz,
De uma terça-feira de feliz carnaval?
Ou triste como um choro, tocado ou vivido?
Quiçá repetição de algo já dito aos quatro ventos?
Mas, quem disse que só existem quatro ventos?
O vento, dizem,
É o ar
Em movimento
Mas na minha cabeça-de-vento está tudo parado
Não há espaço pra pensar em mais nada
Somente caminho,
Sem caminho
Nesta tarde equivocada
André Fernandes Branco
23 September, 2007
12:59 am
Fernandes Branco
Falo português
Pratico sociologia
Recebo matemática
E como biologia
Falo português
De Portugal, da padaria
E talvez
Do canibal, se é que esse havia
Pratico sociologia
Da anarquia à hierarquia
Relendo Maquiavel
Rejeito o papel de Caxias
Recebo a temática boa
Na matemática do dia-a-dia
E corto na raiz quadrada
A palavra que não caberia
Assim, como biologia,
Também como qualquer vadia
Viajo por células-tonco
Clonando um amor que existia
E assim vou seguindo
Sem rumo
Sem refil
Seguindo os segundos
Vagabundo de esquina
De carteira assassinada
Cidadão do submundo
Poeta das almas penadas
Sem saber de todas as coisas
Que um dia pensei que sabia
Usando a ciência pra tudo
Vivendo um poema por dia
André Fernandes Branco
21 September, 2007
10:26 pm
Fernandes Branco
Não se atreva a pensar
A respeito do que eu escrevo
O que eu escrevo
Não se lê
O que se lê
É o que se pensa
Do seu jeito
Sobre o que eu escrevo
Mas quando eu escrevo,
Eu não penso
Sinto
Sinta
André Fernandes Branco