Monocultura

8:20 pm

Na seara do tempo
Sou árvore, pé de palavra

Alguns de meus frutos
Já nascem podres
Outros são comidos de vez

Amadurecer,
Esta incongruência
Deixo pra gente séria

Já estou assaz preocupado
Com o outono
Que ainda não veio

André Fernandes Branco

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Certa Palavra

9:14 am

Quero uma palavra profunda
Que toque no peito dos homens
E faça chover no sertão

A palavra dos momentos puros
Em cuja pureza reflita
Esperança praqueles que choram

Que lave a alma do imortal
E aos meninos soe como brincadeira

Que as moças se encantem de falar
E os velhos não cansem de repetir

Uma palavra que faça rir
Que eleve aos céus os ateus

Seja ensinamento e lição de vida
Dê prazer e saiba punir

Procuro uma palavra muda
Que, no momento, me foge à cabeça
Mas não escapa ao coração

É a palavra da vida pela própria vida

É única pra cada ser humano

André Fernandes Branco

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Contemporaneidade

9:34 am

Um relógio quando pára
Pára também um pedaço do mundo
O mesmo mundo que é espaço
Onde os recursos escassos
Provocam problemas profundos

Parede e pulso que sente
Telefone, obelisco marcando
Doença que nunca melhora
Desde que o nunca era quando
Manter-se no centro das horas
Embrulhar o instante presente

Pobre mundo
Vasto e imundo
Já me chamei Raimundo
Agora sou só correria
Sem rimar com mais nada por perto

Na era das desavenças
É tempo de se apressar
Não existe tempo a perder
Com tanto espaço a ganhar

Nessa eterna demora
Pessoas impessoais
Esquecem
O aqui
O agora

Bem fazem os animais…

André Fernandes Branco

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Legítima Defesa

9:30 pm

Todo poema é belo
Mesmo que seja feio
E ainda que falem:
“Foi mal escrito”
“Não é original”
Em verdade, vos digo:
Todo poema é genial
E aos poetas consinto
Que prossigam neste absurdo
De apontar ventanias
E emocionar a razão
Pois, todo poema é imprescindível
Mesmo que seja vão

André Fernandes Branco

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