Controvérsia

1:35 am

Eu não acredito em futuro
Parece abstrato demais
Mais abstrato que amor

Porém, acredito em amor
E que se pode amar eternamente
Mesmo que eternidade seja menção a uma coisa
Que ainda esteja por vir,
Ou que tenha sempre existido
Por mais abstrato que isso pareça

Talvez acredite em futuro
Mas, se é assim, de que me adianta,
Se os livros que esperam na estante
Esperam no amanhã
Se o momento de ler, que é agora
Situa-se, perdido, entre o cansaço e a preguiça
E mingua, silenciosamente,
Escondido nas coisas do cotidiano?

Mas, afinal de contas,
O que é o futuro?
Como será o amanhã?
Responda quem puder…

Será um samba feliz,
De uma terça-feira de feliz carnaval?
Ou triste como um choro, tocado ou vivido?
Quiçá repetição de algo já dito aos quatro ventos?
Mas, quem disse que só existem quatro ventos?

O vento, dizem,
É o ar
Em movimento
Mas na minha cabeça-de-vento está tudo parado
Não há espaço pra pensar em mais nada

Somente caminho,
Sem caminho
Nesta tarde equivocada

André Fernandes Branco

Poemas
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